Em 2006, o Ocidente iniciou a primeira leva de sanções para forçar o regime iraniano a esclarecer seu programa nuclear. Na época, falava-se de "sanções direcionadas". Europa e Estados Unidos asseguraram não ter nada contra a população civil, apenas contra o regime. Infelizmente os embargos do Ocidente atingem em primeira linha a sociedade civil.
... é o que está escrito num cartaz apresentado por partidários do regime por ocasião do 34º aniversário da revolução islâmica. As consequências das sanções são minimizadas pelas lideranças e por partidários do regime.
Pobreza e desemprego continuam aumentando no Irã. Especialistas em economia iraquiana dizem que desde o final da Guerra Irã-Iraque (1980-1988) raramente a situação econômica e social esteve tão ruim. Segundo eles, as sanções e principalmente a "equivocada" política econômica do governo Ahmadinejad são responsáveis por esta problemática.
Oficialmente, a taxa de desemprego é de 12%, mas o número real pode ser quatro vezes mais alto. Para não empobrecer completamente, muitas pessoas aceitam qualquer tipo de trabalho.
A gravidade da situação não poupa nem os mais jovens da sociedade. Algumas famílias mandam seus filhos trabalhar na rua. Segundo um relatório do parlamento iraniano, em todo o país existem mais de três milhões de menores de 18 anos que trabalham em vez de frequentar a escola.
Algumas firmas já não têm condições de pagar seus funcionários. Estes trabalhadores esperam já há 22 meses pelo ordenado. Por medo de perder o emprego, muitos iranianos trabalham por longos períodos sem receber salário.
Na crise atual, enquanto aluguéis, preços de terrenos e da construção sobem rapidamente, os novos ricos e aqueles que se beneficiam das sanções para aumentar seu capital constroem novos palácios e mansões.
Também os preços para os produtos alimentícios básicos, como pão, continuam subindo, ainda que muitos deles sejam subsidiados. A taxa de inflação entre março de 2012 e março de 2013 superou 30%. Por algum tempo, a carne de frango esteve tão racionada que quando excepcionalmente aparecia no mercado provocava filas imensas e causava tumulto nos locais de venda.
Para as famílias iranianas, o arroz é um dos produtos alimentícios básicos. Até mesmo o arroz indiano, que é mais barato por causa de sua má reputação devido ao alto teor de arsênio, hoje provoca longas filas diante dos locais de compra.
A escassez e o aumento de preços não afeta apenas os gêneros alimentícios. No Irã, cerca de 6 milhões de pacientes sofrem com as sanções econômicas que dificultam a importação de remédios. Nos últimos anos, os preços de alguns remédios aumentaram entre 30 e 200%.
Para suprir as necessidades básicas, muitos iranianos precisam renunciar a bens de consumo. Os comerciantes tentam atrair clientes com ofertas especiais, para vender ao menos parte de suas mercadorias. Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), a economia iraniana encolheu 2% em 2012 e a previsão para 2013 é que diminua 1,3%.
No final do ano passado, o rial iraniano perdeu substancialmente seu valor, enquanto o dólar e o euro subiram. O declínio do rial alimenta o índice de inflação. O bazar de Teerã teve que fechar, pois não foi mais possível vender a preços razoáveis. A polícia teve que agir contra uma multidão enfurecida que protestava contra a desvalorização da moeda.
O povo iraniano sofre cada vez mais com a crise, resultado tanto dos embargos do mundo ocidental como da má administração pelo governo. Impressões de um país isolado:
O povo iraniano sofre cada vez mais com a crise, resultado tanto dos embargos do mundo ocidental como da má administração pelo governo. Impressões de um país isolado: